segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Saiba o motivo pelo qual os professores fazem greve....

Vou passar alguns problemas para vocês resolverem.

Problema nº1

Um professor trabalha 5 horas diárias, 5 salas com 40 alunos cada. Quantos alunos ele atenderá por dia?

Resposta: 200 alunos dia.

Se considerarmos 22 dias úteis. Quantos alunos ele atenderá por Mês?

Resposta: 4.400 alunos por mês.
Consideremos que nenhum aluno faltou (hahaha) e, que em cada um deles, resolveram pagar ao professor com o dinheiro da pipoca do lanche: 0,80 centavos, diárias. Quanto é a fatura do professor por dia?

R: 160,00 reais diários

Se considerarmos 22 dias úteis. Quanto é faturamento mensal do mesmo professor?

R: Final do mês ele terá a faturado R$ 3.520,00.


Problema nº2

O piso salarial é 1.187 reais, para o professor atender 4.400 alunos mensais. Quanto o professor fatura por cada atendimento?

Resposta: aproximadamente 0,27 mensais

(vixe, valemos menos que o pacote de pipoca)... continuando os exercícios...



Problema nº3

Um professor de padrão de vida simples,solteiro e numa cidade do interior, em atividade, tem as seguintes despesas mensais fixas e variáveis :

Sindicato: R$12,00reais

Aluguel: R$350,00reais ( pra não viver confortável)

Agua/energia elétrica: R$100,00 reais (usando o mínimo)

Acesso à internet: R$60,00 reais

Telefone: R$30,00 reais (com restrições de ligações)

Instituto de previdência: R$150,00 reais

Cesta básica: R$500,00 reais

Transporte: sem dinheiro

Roupas: promocionais

Quanto um professor gasta em um mês?

Total das despesas: R$1202,00

Qual o saldo mensal de um professor?

Saldo mensal: R$1187,00 - 1202= -15 reais, passando necessidades


Agora eu te pergunto:

- Que dinheiro o professor terá para seu fim de semana?

- Quanto o professor poderá gastar com estudos, livros, revistas, etc.

- Quanto vale o trabalho de um professor??
- Isso é bom para o aluno???
- Isso é bom para a educação pública do Brasil??

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

USP - Militarização e privatização

São Paulo, sexta-feira, 18 de novembro de 2011
F. Alambert, F. de Oliveira, J. Grespan, L. Secco, L. Martins e M. Soares
Militarização e privatização
Com o atual ro e descabido? A verdade é que a militarização, ou terceirização da segurança, deriva da privatização em curso da USP.
Combina-se ao sucateamento, no campus, do hospital, da moradia estudantil e do transporte, aos cursos pagos e escritórios externos. Com que fim? Recordemos.
O primeiro ato da gestão Serra foi criar a Secretaria de Ensino Superior, englobando as universidades estaduais e a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), com orçamento de grande estatal, superior ao de Estados.
Por que a insistência no trauma, na indignidade, no modo custoso e descabido? A verdade é que a militarização, ou terceirização da segurança, deriva da privatização em curso da USP.
Combina-se ao sucateamento, no campus, do hospital, da moradia estudantil e do transporte, aos cursos pagos e escritórios externos. Com que fim? Recordemos.
O primeiro ato da gestão Serra foi criar a Secretaria de Ensino Superior, englobando as universidades estaduais e a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), com orçamento de grande estatal, superior ao de Estados.
O pacote privatista cindia pesquisa e ensino, sediava a pesquisa em ilhas, associando-a a empresas, substituía o ensino presencial por telecursos e submetia o todo a critérios empresariais. Resultou em greves por todo o Estado, na primeira ocupação da reitoria da USP (maio-junho, 2007) e na demissão do secretário Pinotti. O governo, porém, não desistiu. Passou a priorizar a liquidação do movimento que obstou o primeiro carro-chefe da campanha de Serra à Presidência. Fez a reitoria nomear um investigador de polícia como diretor de segurança da USP no final do ano de 2007.
USP no final do ano de 2007.
Os furtos no campus seguiram, mas o alvo era outro: em 2008, a reitoria demitiu um dirigente sindical, apesar da imunidade constitucional do cargo, e implantou a estratégia de processos administrativos e penais seriais contra os sindicalistas e estudantes.
À rádio Bandeirantes, o reitor afirmou, em 2010, que a USP era como os "morros do Rio" e que requeria uma intervenção como a do Haiti. Hoje, cinco dirigentes sindicais encontram-se em vias de demissão, até por "crime de opinião", e 25 estudantes, às portas da expulsão, com base em artigo que proíbe a difusão de ideias políticas no campus; com as prisões recentes dos 73, ascende a quase cem a lista dos estudantes perseguidos. De fato, a USP, sem acesso universalizado - ao contrário de universidades públicas da Argentina e do México -, ainda não se pôs, como deve, a serviço da sociedade como um todo. Está, no entanto, a sociedade ciente do processo em curso e disposta a prosseguir na dilapidação e cessão a grupos privados do enorme potencial da universidade?
O reitor Rodas acelera vertiginosamente a fratura social e política da USP. É preciso caminhar para uma estatuinte, se="color: black;"> é professor da FFLCH-USP.LUIZ RENATO MARTINS é professor da Escola de Comunicações e Artes da USP.MARCOS SOARES é professor da FFLCH-USP.
Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. N�;">FRANCISCO ALAMBERT é professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (FFLCH-USP).FRANCISCO DE OLIVEIRA é professor emérito da FFLCH-USP.JORGE GRESPAN é professor da FFLCH-USP.LINCOLN SECCO é professor da FFLCH-USP.LUIZ RENATO MARTINS é professor da Escola de Comunicações e Artes da USP.MARCOS SOARES é professor da FFLCH-USP.
Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Não mesmo! Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. 

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

USP, a mídia e você, de quem realmente é a culpa?

Depois de todo o estardalhaço causado pela mídia (principalmente televisiva) foi possível chegar a uma conclusão que seria bem mais agradável se a culpa realmente fosse dos manifestantes que ali estavam, porém todos sabemos que dois principais fatos cercam todo o aparato especulativo do caso:
1 – ninguém quer assumir a culpa pela situação atual da educação no país
2 – a mídia há tempos tornou-se um simples veículo de chantagem, sensanciolismo e condutor da população sem base argumentativa que a direciona para um único fim, o consumo


O caso da USP, a instituição e o que é mostrado.

    É necessário frisar que todo o início de tumulto foi gerado devido a votação pela permanência ou não da PM dentro do Campus da universidade, pois o mesmo abriga cerca de aproximadamente 75.000 mil (no total das 3 universidades) alunos além de funcionários, professores, estrangeiros, palestrantes e visitantes que vão a faculdade todos os dias, pois  como todos sabemos a USP é o maior produtor de trabalhos acadêmicos do Brasil.
    O que era apenas para se limitar a um protesto pela tentativa de soluções alternativas de segurança, foi transformado em palco para “chacotas” generalizadas contra todos os estudantes que lá vivem e trabalham honestamente.
    A prisão de dois estudantes portando maconha, algo rotineiro em qualquer festa de peão, rave, show de rock, centros sociais e até mesmo na própria polícia e no exército ou evento particular, trouxe a tona toda a voracidade de apresentadores de programas de tarde e jornalistas “cães de guarda” que o sistema possa produzir. Na falta de assunto, resolveram apelar pela moralidade tradicional do brasileiro, moral que é discutível quando se tem um jornalismo de soluções rápidas moldado aos padrões elitistas e de capitalismo selvagem.
    Não há necessidade de focarmos soluções pessoais para o problema, pois o que temos lá é uma infra-estrutura gigantesca que necessitaria de meses para que uma solução tomada por pessoas que conheçam o problema e o sistema a fundo, apaziguasse a situação relacionada à violência dentro e na proximidade de todos os Campus (pois o problema tende a aparecer nos outras cidades também). São necessárias soluções administrativas que avaliem o contexto da necessidade atual relacionando-a com o contexto histórico da própria instituição e de seus alunos, o que na opinião da mídia é pura besteira, e na opinião pública em geral é desnecessário, pois apenas a violência policial e prisões já seriam suficientes para resolver o problema.
    Ao contrário de quase tudo o que foi falado na TV, quem freqüenta a USP sabe que a maioria, digo quase o total das pessoas, são pessoas educadas que respeitam o espaço dos outros, que lá freqüentam para estudar mesmo e querem um mundo melhor, criam lá sua perspectiva de vida social e profissional. Falam sobre política, ecologia, filosofia e projetos moldados ao desenvolvimento de uma sociedade consciente, pessoas as quais conversaríamos de forma inteligente por mais de horas, pois estudam demasiadamente e constroem bases argumentativas sólidas. Porém o quanto disso é mostrado na mídia? Quantos projetos da USP conseguiram a atenção de TV por 30 minutos, uma hora ou mais todos os dias? Qual o conteúdo que você vê na TV?
    Através deste questionamento lhe pergunto se os repórteres, jornalistas, atores, diretores, ou melhor, todas estas pessoas que compõem a mídia brasileira, conseguiriam estes produzir um conteúdo tão vasto e importante para ter razão em tecer críticas a estudantes que lutam pelo desenvolvimento da ciência e tecnologia todos os dias? Toda a mídia televisiva e jornalística não usa drogas? Nunca usou?
    Ao contrário da maioria das opiniões equivocadas, vejo a USP como importantíssima para o aluno que realmente estuda e que não tem condições de pagar uma faculdade particular.
    A maioria das pessoas que a classifica como faculdade “elitista” não sabe que muitos cursos de lá tem estudantes de classe média e baixa, mas para se obter qualidade é preciso que se selecione quem vai entrar, o que traz a tona a precariedade do ensino público, o que não é culpa da faculdade e sim de você que não estuda ou não protesta contra o governo para obter um ensino público melhor.
    É fato que com o desenvolvimento da internet, hoje compra-se e baixa-se livros em uma velocidade absurda e por um preço acessível que pode ser entregue em praticamente qualquer parte do país, onde chegamos a conclusão de que se você quiser estudar, você realmente pode ter estas condições. Percebi que as pessoas que mais criticam a USP são as de classe média, porém estas não pensam duas vezes em gastar R$ 160,00 em uma camisa do seu time favorito, ao invés de comprar livros que o ajudariam a entrar na USP, ou desenvolver melhor o seu intelecto. Estas mesmas pessoas que deveriam assistir a documentários e bons filmes disponíveis gratuitamente na internet, passam suas manhãs, tardes e noites atreladas a conversas virtuais fúteis via FACEBOOK, ferramenta que tem suas utilidades, mas também não é culpa da USP se você não gosta de estudar.
    Sendo a mídia televisiva a principal fonte de informação da população brasileira, é natural que sua opinião seja absorvida sem questionamentos, pois ela não tem o objetivo de educar ou criar ramificações filosóficas sobre a maioria dos temas que são mostrados. A realidade da mídia é apenas uma representação de seus interesses, e não uma fonte de soluções para os problemas sociais. Comprova-se isso através da criação de ícones como Neymar, de programas de culinária e da criação de necessidades de consumo transmitida através dos comerciais todos os dias. Sendo assim de quantas maneiras diferentes um assunto pode ser avaliado pela mídia?
    O tempo desperdiçado com assuntos promíscuos e fúteis tomam quase a totalidade de sua programação, então te pergunto: quem são eles para julgar a USP, seus alunos, seus protestos?
    Mostrar uma realidade parcial e tendenciosa é bem diferente de desenvolver trabalhos sérios, com base empírica discutidos por pessoas que estudaram, pesquisaram e muitas vezes dedicam e dedicarão suas vidas inteiras a pesquisa.
    Qual a credibilidade que a mídia tem para julgar uma instituição que é respeitadíssima no mundo e seus alunos, sendo que na própria mídia qualquer um pode exercer o papel de repórter e apresentador sem preparo e sem formação alguma? Na USP são selecionados por mérito, bem diferente da TV.
    Por que a TV não mostra a fundo os problemas sociais ao invés de fazer reportagens sobre o tamanho das casas dos jogadores de futebol?
    Distorcer temas como protestos de WallStreet, MST entre outros, são elementos de rotina nos jornais diários, mas você já procurou se informar como eles surgiram, e porquê?
    O cidadão que critica sem uma base de informação ampla, apenas reproduz uma opinião e não forma a sua própria, torna-se alienado e sem caráter, mais um zumbi social.
    Infantilidades postadas no FaceBook, como por exemplo a foto do Capitão Nascimento incentivando a violência contra os alunos, são a maior repersentação de pessoas desinformadas que se recusam a pensar, a solucionar os problemas com bases teóricas e sendo assim acham que irão mudar algo postando uma simples foto na internet. São em sua maioria pessoas passivas que aceitam tudo o que lhes é imposto pelos veículos de comunicação e não conseguem construir temas ou argumentos sobre um assunto por mais de 5 minutos estando frente a frente a outras pessoas.
    Importante é não acreditar em soluções mágicas para quaisquer situações, pois se corrige um problema corretamente apenas com trabalho e raciocínio, quando faltam os dois, “palavras sem nexo e sem base” nada fazem além de confundir e atrapalhar ainda mais quem realmente trabalha para construir um mundo melhor, e quando isso torna-se um padrão é esperado que equívocos sejam vistos como situações normais, distorções causadas intencionalmente por interesses subjetivos que poucos conseguem distinguir. Esta é a realidade que o brasileiro vive, mas poucos enxergam assim.

Escrito por Everton Coraça

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Universitários do curso de História das FIMI promovem exposição sobre a “História do Rock and Roll”

                Ocorrerá nos dias 17, 18  e 19 de Outubro a partir das 19:30h, nas Faculdades Integradas Maria Imaculada de Mogi Guaçú, a exposição “A História do Rock”, organizada pelos universitários de História da própria faculdade. A exposição trará fotos, frases, cartazes, banners, atrações interativas, traduções, curiosidades, biografias e muito som para amantes do estilo ou interessados em saber um pouco mais sobre a influência e a grandiosidade do rock and roll em nossa sociedade.
                A exposição busca mostrar vertentes mescladas desde o Blues até o Death Metal, músicas comerciais e representações de contracultura .
                Bandas nacionais também terão seu espaço garantido. Haverá homenagem a grandes nomes como Titãs, Legião Urbana, Barão Vermelho , não deixando de lado o underground com Ratos de Porão, Inocentes, Joelho de Porco, Viper  e Garotos Podres, entre outros. E claro, a Banda Zenith de Mogi Guaçu será homenageada também!
                Estarão distribuídas pela sala 16, biografias de várias bandas, além de cartoons e tatuagens expostas em cartazes.
                Além da História do Rock as FIMI estarão promovendo exposições dos cursos de Química, Biologia, Pedagogia, Engenharia, Farmácia e Letras, também organizadas por universitários.

domingo, 2 de outubro de 2011

Pós-moderno, por Everton Coraça

Vândalos, bandidos, criminosos!

É com essas palavras que a grande imprensa brasileira qualifica as revoltas juvenis de Londres, ecoando o surpreendente discurso do governo inglês, que as tratou como um caso de polícia e os manifestantes como criminosos. Nesta mesma toada estão sendo interpretadas as últimas grandes manifestações da juventude chilena, que saiu às ruas em centenas de milhares de pessoas, enfrentando a polícia com pedras, paus, coquetéis molotov, quebrando vidraças e ateando fogo em veículos.
É um endurecimento sem precedentes. No caso da Inglaterra, nenhuma das questões sociais que levaram esses jovens a um estado de revolta foi considerada. O argumento de transgressão da ordem, da prática de atos criminosos – o foco nos saques de estabelecimentos comerciais que vendem os ícones de consumo como telefones, ipads, computadores, roupas e calçados de grife, no incêndio de veículos –  pretende dissociar estes atos do contexto em que ocorrem e criminalizar as  manifestações e  seus participantes.
Para esse comportamento, a resposta do Estado é a proibição das manifestações públicas, proibição da ocupação de praças, repressão, prisões, intimidação. Chegamos ao cúmulo de ver a justiça inglesa condenar a quatro anos de prisão dois jovens, de 20 e 21 anos, por convocarem através de seus telefones manifestações que, aliás, não ocorreram.  
O tratamento dado pelos governos a essas manifestações, por meio da polícia e do judiciário, e a linha editorial dos jornais da grande imprensa, tanto inglesa quanto brasileira, reforça esse tipo de julgamento que associa tais atos a vandalismo,  prefiguram tempos mais difíceis e mostram o quanto o sistema político e a grande mídia optaram não pelo diálogo com os manifestantes, mas por uma linha dura que não se dispõe a negociar ou ouvir as demandas que geram essas manifestações.
No caso das ações na Inglaterra, isso ocorre num contexto de crise financeira que envolve todo o continente, com os novos ajustes, dito claramente, cortes nas políticas públicas que todos os governos europeus estão fazendo, num momento em que acabou-se o Estado de bem-estar social e o desemprego cresce, a imigração é criminalizada, as políticas de proteção social cada vez mais se fragilizam. E a população mais pobre, isto é, as maiorias, verão sua existência ainda mais precarizada.
Neste novo cenário é previsível que ocorram por toda a Europa manifestações, como já são registradas em diferentes intensidades, na Grécia, na Espanha, na França, na Inglaterra. E o governo inglês sinaliza que, se houver novos protestos, eles serão reprimidos. Serão estes indícios de como os demais Estados tratarão a questão social?
Tratar essas mobilizações e revoltas juvenis que se espalharam por várias cidades como atos criminosos é negar-lhes o direito ao discurso.
Foi muito parecido o que aconteceu em Paris, em 2005. Estes mesmos jovens negros, moradores dos bairros mais pobres, foram vítimas da ação intimidatória do policiamento ostensivo. Um grupo deles, tentando escapar das humilhações, fugiu de uma abordagem da polícia. Três deles se esconderam em uma área de alta tensão de energia elétrica e morreram eletrocutados ou em decorrência das queimaduras. Esse momento foi a faísca que incendiou um contexto vivido por toda parte. E os jovens se revoltaram contra a morte de três colegas e, por toda a cidade, atearam fogo em 10 mil carros.
Afinal, o que eles querem? Alguém perguntou? Eles precisam quebrar mais para ser ouvidos?
A história das discriminações e violências cotidianas que sofrem esses jovens, pobres, na maioria negros, sem futuro, também não conta na análise dos últimos acontecimentos na Inglaterra. Foi aí, nos bairros mais pobres e precários, que começou a revolta. Aí,  justamente em Totenham, onde o governo está cortando 75% das verbas para as políticas sociais para a juventude e endurecendo o policiamento ostensivo.
O que surpreende ainda mais é certa adesão popular a esse discurso de criminalização dos movimentos sociais, esse apoio para tratar como bandidos os participantes das revoltas. Mas para que esse apoio ocorra e as questões sociais sejam ignoradas, é preciso “informar” a opinião pública, papel em que a televisão e os jornais têm enorme importância.  
Talvez porque tais revoltas não tenham conseguido expressar sua cara humana, dizer a que vêm, quais são suas demandas, talvez porque os cidadãos desconheçam essas práticas ou tenham lido e ouvido insistentemente os mesmos argumentos, esses jovens estão sendo tratados como criminosos.  O governo traça uma linha de segregação e repressão que só pode levar a uma maior polarização da conjuntura. Se a repressão for eficiente agora para desmobilizar os descontentes, ela apenas adia o momento de novas explosões.
Vale nos perguntarmos aonde nos leva esse caminho. Vale nos perguntarmos a quem interessa implantar o domínio do medo. Vale nos perguntarmos que papel tem tido a mídia na formação da opinião pública sobre esses acontecimentos.
Silvio Caccia Bava é editor de Le Monde Diplomatique Brasil e coordenador geral do Instituto Pólis. Clique no link para ver o original.

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